Sinais e prevenção · Pergunta 38
A que profissionais posso recorrer no Serviço Nacional de Saúde?
A porta de entrada habitual é a equipa de saúde familiar, na unidade de saúde familiar ou na unidade de cuidados de saúde personalizados da área de residência. Compete-lhe a avaliação inicial, o diagnóstico e o tratamento das perturbações mentais comuns — depressão, perturbações de ansiedade, perturbações do sono, consumo de risco de álcool —, a vigilância da comorbilidade física e a referenciação para cuidados especializados quando indicada. Uma proporção substancial dos quadros de saúde mental é adequadamente tratada neste nível, sem necessidade de psiquiatria.
Nos cuidados de saúde primários existem igualmente profissionais de psicologia, em número crescente mas ainda insuficiente face à procura, e enfermeiras e enfermeiros especialistas em enfermagem de saúde mental e psiquiátrica. Estes últimos asseguram consultas de enfermagem, avaliação e diagnóstico de enfermagem, cuidados de enfermagem e, em particular, intervenções de enfermagem especializadas: psicoeducativas, psicoterapêuticas, socioterapêuticas e psicossociais, gestão do regime terapêutico, acompanhamento de proximidade e visitação domiciliária. A sua intervenção é autónoma no âmbito das competências próprias e não depende de prescrição médica.
No nível especializado, os serviços locais de saúde mental constituem a estrutura de referência. Integram equipas multiprofissionais — psiquiatria, enfermagem especializada, psicologia, serviço social, terapia ocupacional — e dispõem de consulta externa, hospital de dia, equipas comunitárias de saúde mental, intervenção domiciliária e internamento em serviço de psiquiatria de hospital geral. Existem serviços dedicados à infância e à adolescência, com organização e critérios próprios.
Importa clarificar o que cada profissional faz, dado que a confusão é frequente e condiciona escolhas. O médico psiquiatra tem formação médica especializada e é o profissional competente para o diagnóstico diferencial com patologia orgânica, para a prescrição e a monitorização de medicação e para a coordenação clínica dos casos complexos. O psicólogo, formado na disciplina de psicologia, realiza avaliação psicológica, por exemplo avaliação neuropsicológica quando habilitado, e intervenção psicológica. O enfermeiro especialista em saúde mental e psiquiátrica estabelece e utiliza a relação terapêutica, realiza avaliação diagnóstica em enfermagem, intervenções psicoterapêuticas e psicoeducativas, e assegura a continuidade e a gestão do processo de recuperação. O assistente social intervém sobre os determinantes sociais — habitação, rendimento, prestações, rede — cuja resolução condiciona frequentemente o resultado clínico. O terapeuta ocupacional intervém sobre o desempenho ocupacional e a participação.
Merece nota específica a psicoterapia. Trata-se de uma prática clínica que não é monopólio de nenhum grupo profissional: pode ser exercida por profissionais de diferentes origens disciplinares — medicina, enfermagem, psicologia e outras — desde que detenham formação específica e certificada num modelo psicoterapêutico e supervisão adequada. A confusão entre psicoterapia e psicologia é frequente e conceptualmente errada: a psicologia é uma disciplina de conhecimento, a psicoterapia é uma prática.
Fora do Serviço Nacional de Saúde existem outras vias. Os subsistemas de saúde e os seguros privados comparticipam consultas de psiquiatria e de psicologia com regras próprias. As instituições de ensino superior asseguram, na generalidade, serviços de apoio psicológico aos estudantes. As linhas de apoio referidas no contactos e linhas de apoio em Portugal prestam aconselhamento telefónico. E várias organizações da sociedade civil e autarquias disponibilizam consultas gratuitas ou de custo reduzido.
Ao escolher acompanhamento profissional em contexto privado, três verificações são recomendáveis: a existência de inscrição válida na respetiva ordem profissional, que é verificável publicamente; a formação específica no modelo de intervenção proposto; e a clareza sobre a frequência, a duração previsível e o custo do acompanhamento. A ausência de qualquer destas informações justifica cautela.
Ver também as perguntas 45 (diferença entre profissionais) e 46 (o que é a psicoterapia).
Informação geral: não substitui avaliação e cuidados individualizados. Consulte a política editorial e as fontes.