Crise · Pergunta 68

O que é um plano de segurança?

Um plano de segurança é um documento breve, construído com a pessoa e a equipa de saúde, com passos concretos para usar quando aumenta o risco de suicídio. Pode ajudar a encontrar apoio quando é difícil pensar em alternativas. Deve ser acessível, revisto ao longo do acompanhamento e nunca usado para adiar ajuda urgente National Institute of Mental Health, 2024.

A estrutura clássica compreende seis a oito passos, em ordem crescente de mobilização externa. Primeiro, os sinais de alerta pessoais — pensamentos, emoções, sensações corporais, comportamentos ou situações que, na experiência da pessoa, precedem o agravamento. Segundo, as estratégias que a pessoa pode usar sem ajuda para se distrair ou acalmar. Terceiro, as pessoas e os lugares que distraem, sem necessidade de falar do que se sente. Quarto, as pessoas a quem pode pedir ajuda explicitamente. Quinto, os profissionais e serviços de contacto, com nomes e números. Sexto, as linhas de apoio e o número de emergência. Sétimo, as medidas concretas para tornar o ambiente seguro. E, frequentemente como fecho, as razões para viver.

A metanálise de Nuij et al. (2021), com seis estudos e 3 536 participantes, encontrou menor ocorrência de comportamento suicidário nas intervenções que incluíam planeamento de segurança: risco relativo de 0,570, com intervalo de confiança de 95% entre 0,408 e 0,795. A estimativa depende das populações, intervenções e períodos de seguimento estudados; não é uma garantia individual. Não foi identificado efeito estatisticamente significativo na ideação suicida considerada isoladamente.

Num estudo de coorte realizado em serviços de urgência da rede de veteranos dos Estados Unidos, o plano de segurança acompanhado por contactos estruturados associou-se a cerca de 45% menos comportamentos suicidários nos seis meses seguintes e a mais contacto com cuidados ambulatórios Stanley et al. (2018). Este resultado é relevante, mas não provém de um ensaio aleatorizado e a população era maioritariamente masculina; não deve ser traduzido numa garantia individual nem atribuído ao documento sem considerar o seguimento que o acompanhou.

A ausência de um resultado estatisticamente significativo na ideação não prova ausência de benefício nem demonstra que o plano atua apenas sobre o comportamento. O plano integra cuidados mais amplos: avaliação, tratamento, apoio e seguimento. Não substitui nenhum destes componentes.

A revisão sistemática de Ferguson et al. (2022), que analisou 26 estudos, documentou melhorias na ideação e no comportamento suicidário, na depressão e na desesperança, e reduções do internamento com melhoria da adesão ao tratamento, com boa aceitabilidade por parte das pessoas e dos profissionais. A síntese qualitativa da experiência de quem os utiliza acrescenta que a eficácia é maximizada quando a elaboração é colaborativa e centrada na pessoa, e quando inclui pessoas de suporte no processo.

O plano deve fazer sentido para quem o utiliza: nomes concretos, contactos atualizados, locais acessíveis e estratégias possíveis naquela situação. Expressões genéricas, como «contactar familiar», precisam de ser concretizadas. A pessoa e a equipa devem rever o que foi útil e o que precisa de mudar.

Quanto à eficácia em crianças e adolescentes, a evidência é substancialmente menos favorável. As revisões disponíveis identificam um número reduzido de estudos, com risco de enviesamento moderado a elevado, e não sustentam o plano de segurança como intervenção isolada nesta faixa etária. Isto não recomenda o seu abandono — continua a ser prática corrente e clinicamente sensata —, mas recomenda que não constitua a única medida, que a elaboração seja adequada ao nível de desenvolvimento e que envolva as pessoas cuidadoras, cujas necessidades próprias são frequentemente ignoradas neste processo.

O plano de segurança pessoal apresenta um modelo de plano de segurança pronto a preencher.

Ver também as perguntas 42 (prevenção do suicídio) e 62 (diretivas antecipadas).

Informação geral: não substitui avaliação e cuidados individualizados. Consulte a política editorial e as fontes.