Cuidar no dia a dia · Pergunta 27
As técnicas de relaxamento e a atenção plena resultam?
As intervenções baseadas na atenção plena reúnem evidência de eficácia moderada na redução dos sintomas de ansiedade, de depressão e de stresse, com resultados comparáveis aos de outras psicoterapias ativas em várias condições. Os dois programas mais estudados são a redução do stresse baseada na atenção plena e a terapia cognitiva baseada na atenção plena, ambos com formato estruturado de oito semanas.
A indicação com evidência mais sólida não é, contudo, o tratamento agudo, mas a prevenção da recaída depressiva. Nas pessoas com três ou mais episódios depressivos prévios, a terapia cognitiva baseada na atenção plena demonstrou reduzir a taxa de recaída em magnitude comparável à da manutenção do antidepressivo, resultado que sustenta a sua inclusão nas orientações internacionais como alternativa para quem prefere não manter a medicação a longo prazo.
Convém, ainda assim, examinar criticamente o entusiasmo que rodeia estas intervenções. Uma proporção substancial dos ensaios utiliza condições de controlo inativas — lista de espera — que inflacionam as dimensões de efeito. Quando a comparação se faz com intervenções ativas equivalentes em tempo e em atenção, as diferenças reduzem-se consideravelmente. O enviesamento de publicação é documentado nesta literatura, e a qualidade metodológica média é modesta.
Existem contraindicações relativas que raramente são comunicadas. Em pessoas com história de trauma não elaborado, com sintomatologia dissociativa, em fase aguda de perturbação psicótica ou em episódio depressivo grave, as práticas prolongadas de atenção focada na respiração ou no corpo podem intensificar o mal-estar, desencadear revivescências traumáticas ou aumentar a desrealização. A investigação sobre possíveis efeitos secundários da meditação, longamente negligenciada, documenta a sua ocorrência numa minoria não desprezável de praticantes, sobretudo em retiros intensivos. Nestas situações, a prática deve ser iniciada com acompanhamento e adaptada — por exemplo, com âncoras externas em vez de internas e com olhos abertos.
Entre as técnicas de regulação fisiológica, a respiração diafragmática lenta com expiração prolongada é a que reúne melhor relação entre simplicidade, segurança e efeito documentado. O mecanismo é o aumento do tónus vagal e a consequente ativação parassimpática, mensurável através da variabilidade da frequência cardíaca. O elemento ativo é a expiração mais longa do que a inspiração: uma razão de quatro segundos de inspiração para seis de expiração, mantida durante três a cinco minutos, produz efeito em situação de ativação aguda.
O relaxamento muscular progressivo, que alterna contração e descontração de grupos musculares em sequência, tem eficácia demonstrada na ansiedade e na insónia e apresenta a vantagem de ser mais acessível a quem tem dificuldade com práticas de foco atencional. As técnicas de ancoragem sensorial, que deslocam a atenção para estímulos externos concretos, são úteis em estados de ativação intensa e em dissociação.
Duas observações finais orientam a escolha. A primeira é que estas técnicas produzem efeito com prática regular e não com utilização exclusivamente reativa: aprender a respirar lentamente durante um ataque de pânico, sem treino prévio, é improvável. A segunda é que nenhuma delas substitui o tratamento de uma perturbação estabelecida, e a sua apresentação comercial como alternativa à psicoterapia ou à medicação carece de fundamento e pode atrasar cuidados necessários.
Ver também as perguntas 66 (ataque de pânico) e 47 (psicoterapias com evidência).
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