Apoiar alguém · Pergunta 85
Como agir perante agitação ou agressividade?
A prioridade absoluta é a segurança de todos, sem excluir a de quem intervém. Nenhuma consideração terapêutica se sobrepõe a este princípio, e a decisão de sair do local é sempre legítima.
Antes de qualquer intervenção verbal, importa organizar o ambiente. Manter distância física suficiente — pelo menos o dobro da distância social habitual — e nunca ficar ao alcance imediato. Assegurar uma via de saída desimpedida para si próprio, e não bloquear a saída da outra pessoa, o que aumenta a sensação de encurralamento. Reduzir a estimulação: baixar o som, diminuir a luz intensa, afastar pessoas em excesso. Remover objetos que possam ser usados como projéteis ou como armas. E designar apenas uma pessoa para falar, dado que múltiplos interlocutores aumentam a confusão e a ativação.
A comunicação deve ser calma, em tom baixo e com frases curtas e simples. A ativação reduz a capacidade de processar informação complexa, pelo que instruções longas ou argumentação elaborada não são compreendidas. Deve manter-se contacto visual moderado — nem evitativo nem fixo, este último interpretável como desafio —, postura aberta, mãos visíveis e movimentos lentos e anunciados.
Quanto ao conteúdo, três princípios. Primeiro, não contradizer diretamente delírios ou alucinações, nem os confirmar: é possível validar a emoção sem validar a crença — «vejo que estás assustado com isso» não equivale a concordar com a ameaça percebida. Segundo, não ridicularizar, não desafiar e não fazer juízos morais. Terceiro, oferecer escolhas concretas e limitadas, ainda que pequenas — sentar-se ou ficar de pé, água ou não —, dado que a restituição de algum controlo reduz a ativação.
Perguntar o que se passa e o que ajudaria é frequentemente mais eficaz do que dar instruções. Muitas escaladas resultam de uma necessidade não atendida — dor, medo, informação em falta, sensação de humilhação — cuja resolução desativa a situação.
A desescalada não é apenas bom senso. Num ensaio aleatorizado por grupos realizado em todas as unidades psiquiátricas hospitalares da Eslovénia, uma intervenção estruturada de formação e práticas de desescalada associou-se a cerca de 73% menos episódios agressivos e 70% menos contenção física Čelofiga et al. (2022). É um resultado forte num sistema hospitalar específico; mostra que a organização e a formação podem mudar os acontecimentos, mas não permite prometer a mesma magnitude noutros contextos.
Existem sinais de escalada iminente que devem motivar afastamento: aumento do volume da voz e do ritmo do discurso, agitação motora crescente, cerrar de punhos ou de mandíbula, invasão do espaço pessoal, ameaças explícitas, fixação do olhar e sinais de intoxicação. Perante estes sinais, a prioridade é sair e contactar o 112.
A contenção física por familiares não é aconselhável. Acarreta risco elevado de lesão para ambas as partes, é frequentemente executada de forma perigosa por quem não tem formação, e compromete duradouramente a relação. Deve ser deixada aos profissionais com formação específica e equipamento adequado.
Ao contactar o 112, deve informar-se com clareza que se trata de situação com componente de saúde mental, indicar se existem antecedentes conhecidos, se a pessoa está medicada e se existem armas ou objetos perigosos no local. Esta informação condiciona os meios enviados e o modo de abordagem.
Duas notas finais. A primeira: a associação entre doença mental e violência é largamente sobrestimada pela representação social. A maioria das pessoas com perturbação mental nunca é violenta, e o risco aumenta sobretudo com consumo de substâncias, com sintomatologia psicótica aguda não tratada e com história prévia de violência. As pessoas com doença mental são, em termos estatísticos, muito mais frequentemente vítimas do que autoras de violência. A segunda: depois de um episódio de agitação, é útil rever com a pessoa, em momento de calma, o que aconteceu, o que precipitou a escalada, o que ajudou e que preferências devem integrar o plano futuro. Esta revisão serve a compreensão e o planeamento; não deve ser apresentada como garantia de evitar repetição.
Ver também as perguntas 72 (quando recorrer ao 112) e 104 (esquizofrenia e psicoses).
Informação geral: não substitui avaliação e cuidados individualizados. Consulte a política editorial e as fontes.