Crise · Pergunta 72
Quando devo recorrer ao serviço de urgência ou ao 112?
Por outras palavras
Uma tentativa de suicídio, intoxicação, ferimento grave ou alteração importante da consciência pode exigir assistência imediata.
Nessas situações, ligue 112. Não espere por conseguir ter a certeza do diagnóstico ou da gravidade.
Esta versão explica a ideia principal. A resposta completa mantém os detalhes, os limites e as orientações de cada situação.
Ler a resposta completaConstituem indicação para ativação imediata do 112, sem hesitação e sem espera, as seguintes situações: tentativa de suicídio em curso ou recente; ingestão de substâncias ou de medicação em quantidade potencialmente letal, independentemente de a pessoa parecer bem, dado que a toxicidade de vários medicamentos é diferida; ferimento autoprovocado com hemorragia significativa; agitação com risco concreto para a própria pessoa ou para terceiros; alteração do estado de consciência; e convulsão.
Ao ligar 112, três informações aceleram a resposta: a morada completa e o modo de acesso, por exemplo andar, código de porta e pontos de referência; o que aconteceu, em termos concretos e sem interpretação; e a informação sobre substâncias ingeridas, com indicação do nome, da quantidade e da hora, e guardar as embalagens para entregar à equipa. Deve manter-se a linha aberta e seguir as instruções dadas, que podem incluir manobras a executar antes da chegada dos meios.
Justificam observação em serviço de urgência, ainda que sem ativação do 112, as seguintes situações: ideação suicida com plano definido e intenção; sintomas psicóticos agudos, por exemplo alucinações, delírios ou desorganização com alteração do juízo crítico; incapacidade súbita de assegurar as necessidades básicas; recusa alimentar ou de líquidos com repercussão física; privação de álcool ou de benzodiazepinas com tremor, sudação, confusão ou alucinações, que pode evoluir para quadro grave; e suspeita de reação adversa grave a medicação, com destaque para a associação de febre, rigidez muscular, confusão e instabilidade autonómica, que pode configurar síndrome neuroléptica maligna, e para febre com odinofagia em pessoa medicada com clozapina, que exige hemograma urgente.
Nas restantes situações, o contacto com a Linha SNS 24 (808 24 24 24), com a linha 1411 quando o motivo é ideação suicida, com a equipa de saúde familiar ou com a equipa de saúde mental que acompanha a pessoa é a via mais adequada. Esta escolha não é apenas questão de racionalização de recursos: a urgência é um ambiente com estimulação elevada, espera prolongada e privacidade reduzida, condições que agravam a maioria dos quadros psiquiátricos não emergentes.
É útil saber o que esperar numa urgência. A avaliação inclui triagem inicial, observação médica, exclusão de causas orgânicas com exames quando indicado, e decisão sobre destino: alta com orientação e consulta marcada, observação em unidade de curta duração ou internamento. A espera pode ser prolongada. É legítimo e recomendável levar acompanhante, medicação habitual ou lista atualizada, e informação sobre alergias e antecedentes.
Duas recomendações práticas para quem acompanha alguém à urgência: não deixar a pessoa sozinha na sala de espera quando existe risco, e informar explicitamente a equipa de triagem sobre a existência de ideação suicida, mesmo que a pessoa a minimize no momento — a informação de terceiros é clinicamente relevante e frequentemente decisiva.
Por fim, uma nota sobre a recusa. Perante risco iminente para a vida, a recusa da pessoa não impede a mobilização de ajuda: deve contactar-se o 112 e comunicar a situação. Fora dessas circunstâncias, a autonomia da pessoa adulta com capacidade preservada é juridicamente protegida, e a condução forçada a um serviço de saúde não é legítima nem clinicamente produtiva.
Ver também as perguntas 67 (pensamentos de suicídio) e 85 (agitação e agressividade).
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