Apoiar alguém · Pergunta 81

Como devo falar com alguém em sofrimento psicológico e que palavras devo evitar?

Convém começar por reconhecer que não existem palavras perfeitas e que o receio de errar leva muitas pessoas a nada dizer, o que é pior. A intenção percebida pesa mais do que a formulação exata, e uma frase imperfeita dita com atenção genuína produz melhor efeito do que o silêncio cuidadoso.

Dito isto, algumas formulações são previsivelmente contraproducentes. As que comparam e desvalorizam: «há quem esteja muito pior», «tens tudo para ser feliz», «pensa nos que não têm nada». As que atribuem responsabilidade: «é só uma questão de vontade», «tens de te esforçar», «isso é falta de fé». As que apressam: «já passou tempo suficiente», «tens de virar a página», «anima-te». As que negam a experiência: «não é nada», «estás a exagerar», «isso é normal». E as que exibem otimismo vazio: «vai correr tudo bem», «amanhã já estás melhor».

O que estas formulações têm em comum é comunicarem que o sofrimento é injustificado, exagerado ou culpa da pessoa. O efeito previsível é o encerramento da conversa e a decisão de não voltar a falar — decisão que raramente é anunciada e que se manifesta apenas pela ausência.

Funcionam melhor as formulações que reconhecem sem pretender compreender totalmente: «não sei exatamente o que estás a passar, mas quero ajudar»; «isso deve ser muito pesado»; «estou aqui». As que se disponibilizam de forma concreta: «queres que vá contigo?»; «posso tratar disso por ti esta semana». As que perguntam em vez de presumir: «o que é que te ajudava agora?»; «preferes falar ou preferes companhia em silêncio?». E as que normalizam sem banalizar: «muita gente passa por isto e há tratamento que funciona».

Existe uma questão específica que merece tratamento cuidadoso: a promessa de segredo absoluto. Perante um pedido de sigilo antes de a pessoa revelar algo, a resposta honesta não é a promessa incondicional. É preferível dizer: «não vou falar disto com quem não precise de saber, mas se a tua vida estiver em risco vou procurar ajuda, porque não posso ficar quieto perante isso». Esta formulação preserva a confiança, é honesta e evita a situação em que se descobre algo grave e se está comprometido a nada fazer. A quebra de uma promessa de sigilo, quando acontece, produz rutura relacional que compromete o apoio futuro.

Merece atenção o tema da linguagem sobre a própria condição. Expressões que reduzem a pessoa ao diagnóstico — «o esquizofrénico», «o bipolar», «a anorética» — devem ser substituídas por formulações que a preservam. Expressões que usam categorias clínicas como adjetivos banais — «o tempo está bipolar», «sou um bocado obsessivo-compulsivo», «isso é deprimente» — trivializam condições graves e são frequentemente sentidas como desvalorizantes por quem as vive. E, no caso do suicídio, «morreu por suicídio» é preferível a «cometeu suicídio», expressão que refere-se a a linguagem do crime, e «tentativa de suicídio» é preferível a «suicídio falhado» ou «tentativa bem-sucedida».

A linguagem centrada na pessoa é uma regra prudente, mas não deve tornar-se uma nova imposição. Algumas pessoas preferem «pessoa com autismo» e outras identificam-se como «pessoa autista»; algumas usam «sobrevivente», «utente», «doente» ou «pessoa com experiência vivida» e outras rejeitam esses termos. Quando for possível, pergunte que designação a própria pessoa prefere. Em textos clínicos ou jurídicos pode ser necessário usar o termo técnico ou legal exato; nesse caso, explique-o e não o transforme num rótulo identitário.

Por fim, uma nota sobre o silêncio. Nem toda a conversa exige palavras, e a presença sem discurso tem valor documentado. Estar presente, disponível e sem pressa comunica algo que nenhuma frase substitui.

Ver também as perguntas 12 (estigma), 52 (recuperação pessoal), 64 (apoio por pares) e 80 (como ajudar).

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