Tratamento e recuperação · Pergunta 181
Como distinguir um efeito adverso frequente de uma urgência e o que devo fazer?
Um efeito adverso é uma alteração indesejada que pode estar relacionada com um medicamento. Nem tudo o que surge durante o tratamento é causado por ele: a própria doença, outra condição física, uma interação, álcool ou outras substâncias e uma coincidência temporal podem produzir sintomas semelhantes. A decisão deve considerar quando começou, se houve início ou alteração de dose, que outros produtos foram usados e se o sintoma melhora ou piora com o tempo.
Primeiro: reconhecer uma emergência. Ligue 112 perante dificuldade em respirar, inchaço da face ou da língua, perda de consciência, convulsão, colapso, ingestão excessiva ou intencional de medicação, dor no peito com desmaio, comportamento suicidário em curso ou perigo que não consegue controlar. Leve as embalagens ou uma fotografia e diga o nome, a quantidade aproximada e a hora da toma; não provoque o vómito nem espere que a pessoa «pareça doente».
Segundo: procurar avaliação urgente no próprio dia. São sinais importantes uma erupção da pele extensa, dolorosa, com bolhas, descamação ou feridas na boca ou nos olhos; febre com rigidez muscular e confusão; febre com agitação, tremor, suor intenso ou diarreia; nova dificuldade em andar, fala arrastada ou confusão; agitação interna insuportável; palpitações persistentes; incapacidade de urinar; ou obstipação acompanhada por dor abdominal, barriga distendida ou vómitos. Um sinal isolado não permite diagnosticar a causa, mas a combinação e a rapidez da mudança justificam não esperar pela consulta seguinte.
Terceiro: contactar quem prescreveu ou uma farmácia nos dias seguintes. Sedação que impede conduzir ou aumenta quedas, tremor novo, movimentos involuntários, aumento rápido de peso, náuseas ou diarreia persistentes, inquietação, disfunção sexual, alteração menstrual, saída de leite da mama sem amamentação, insónia, embotamento emocional ou dificuldade em pensar merecem revisão. Muitas vezes é possível mudar o horário, reduzir a dose, tratar o efeito ou escolher outro medicamento; a solução não deve ser presumida sem conhecer o medicamento e a pessoa.
Quarto: registar mesmo os efeitos ligeiros. Anote nome do medicamento e substância ativa, dose, horário, data de início ou alteração, descrição do sintoma, intensidade de zero a dez, duração e impacto no sono, alimentação, trabalho, estudo, relações, sexualidade, condução e autocuidado. Inclua medicamentos sem receita, suplementos, produtos de ervanária, cafeína, álcool e outras substâncias. Este registo transforma «não me sinto bem» em informação que permite decidir. Pode usar o registo de medicação e possíveis efeitos secundários desta página.
Não existe uma regra segura que seja «continuar sempre» ou «parar sempre». A interrupção súbita de antidepressivos, benzodiazepinas, antipsicóticos, estabilizadores do humor e outros medicamentos pode causar privação, descontinuação ou recaída; por outro lado, uma reação grave não deve ser adiada por medo de falhar uma dose. Perante sinais de alarme, procure primeiro orientação urgente e leve a medicação consigo. Fora de uma urgência, combine qualquer alteração com quem prescreve.
Peça, no início de cada tratamento, cinco informações por escrito: objetivo; efeitos frequentes e duração esperada; sinais que exigem contacto; vigilância física ou análises; e o que fazer se esquecer uma dose, vomitar, ficar doente ou quiser parar. O plano deve incluir quem contactar durante e fora do horário do serviço. As orientações de segurança devem ser adaptadas ao medicamento concreto e ao respetivo folheto informativo.
A hierarquia «112, avaliação no próprio dia ou revisão programada» apresentada aqui é uma síntese prudencial de orientações clínicas por classe e de informação regulamentar; não é uma escala diagnóstica validada. O folheto informativo, o Resumo das Características do Medicamento, o protocolo nacional e uma orientação individual mais urgente prevalecem. Os calendários de vigilância das perguntas seguintes são referências de boa prática e podem ter de ser antecipados perante sintomas, resultados alterados, gravidez, doença física, interações ou mudança de dose National Institute for Health and Care Excellence, 2014 National Institute for Health and Care Excellence, 2014–2025 National Institute for Health and Care Excellence, 2022.
A pessoa ou um familiar pode notificar diretamente ao INFARMED qualquer suspeita de reação adversa através do Portal RAM. A notificação deve identificar o medicamento, a reação, a dose, outros produtos usados e informação clínica relevante; não é necessário provar previamente que o medicamento foi a causa INFARMED, s.d.. Notificar contribui para a farmacovigilância, mas não substitui contactar a equipa nem procurar cuidados urgentes.
Quem apoia deve acreditar na experiência da pessoa, ajudar a registar e facilitar contacto com a equipa. Não deve vigiar comprimidos às escondidas, desvalorizar com «isso passa», atribuir automaticamente tudo à doença nem pressionar para continuar a qualquer custo. Benefício e tolerabilidade contam ambos na escolha partilhada do tratamento.
Ver também as perguntas 49 (antidepressivos), 50 (interrupção), 67 (pensamentos de suicídio), 79 (depois de uma crise), 182 (antipsicóticos), 183 (estabilizadores do humor), 184 (benzodiazepinas) e 185 (PHDA).
Informação geral: não substitui avaliação e cuidados individualizados. Consulte a política editorial e as fontes.