Sinais e prevenção · Pergunta 41

Como prevenir problemas de saúde mental na gravidez e no pós-parto?

As perturbações mentais perinatais — as que ocorrem durante a gravidez e no primeiro ano após o parto — afetam aproximadamente uma em cada cinco mulheres e constituem a complicação mais frequente da gravidez e do puerpério, com prevalência superior à da diabetes gestacional e da pré-eclâmpsia. Apesar disso, permanecem subdiagnosticadas e subtratadas.

Importa distinguir três quadros com prognóstico e conduta distintos. A designada tristeza pós-parto afeta a maioria das puérperas, inicia-se nos primeiros dias, caracteriza-se por labilidade emocional, choro fácil e irritabilidade, e resolve-se espontaneamente em cerca de duas semanas; não requer tratamento, mas requer vigilância. A depressão perinatal é persistente, interfere com o funcionamento e com a vinculação, pode iniciar-se durante a gravidez ou até um ano após o parto, e requer tratamento. A psicose puerperal é rara — cerca de um a dois casos por mil partos — mas é emergência psiquiátrica, com início habitualmente nas primeiras duas semanas, quadro de confusão, alucinações, delírios e risco elevado de suicídio e de infanticídio; exige avaliação urgente e, na maioria dos casos, internamento.

O rastreio sistemático com instrumentos validados, por exemplo a Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo, encontra-se recomendado na vigilância pré-natal e pós-natal em Portugal e integra os cuidados de saúde primários. A sua aplicação permite deteção precoce e melhora os resultados maternos e infantis, desde que acompanhada de uma via de resposta definida — um rastreio sem resposta organizada não produz benefício.

Entre os fatores de risco identificados contam-se a história pessoal ou familiar de perturbação mental, a interrupção de medicação psiquiátrica na gravidez sem plano alternativo, a gravidez não desejada, a violência doméstica, a ausência de suporte do companheiro ou da rede, as complicações obstétricas, a prematuridade, a perda gestacional anterior e as dificuldades na amamentação. A privação de sono é fator precipitante particularmente relevante no puerpério e é frequentemente subestimada.

Entre as medidas preventivas com sustentação contam-se a preservação do sono materno através da partilha efetiva das tarefas noturnas, o apoio prático — e não apenas emocional — nas primeiras semanas, a preparação realista para o puerpério durante a gravidez, a vigilância reforçada nas mulheres com antecedentes e a intervenção psicológica preventiva nas mulheres com risco acrescido, que demonstrou reduzir a incidência de depressão pós-parto.

A questão da medicação durante a gravidez e a amamentação merece tratamento cuidadoso, dado que é fonte de decisões precipitadas em ambos os sentidos. A interrupção abrupta de medicação psiquiátrica ao saber-se da gravidez associa-se a risco elevado de recaída, com consequências para a mãe e para o feto que podem exceder as do próprio medicamento. A decisão deve ser tomada antes da conceção sempre que possível, com quem prescreve a medicação, e ponderar o risco da exposição, o risco da não exposição e o risco da recaída. Vários antidepressivos são considerados compatíveis com a gravidez e a amamentação; outros medicamentos exigem cautela específica. Nenhuma destas decisões deve ser tomada isoladamente com base em informação obtida na internet.

Deve, por fim, afirmar-se que a presença de ideação suicida, de sintomas psicóticos, de recusa alimentar ou de incapacidade de cuidar do recém-nascido é emergência e exige avaliação imediata. O suicídio é uma das principais causas de morte materna no primeiro ano após o parto em países de rendimento elevado.

Ver também as perguntas 65 (o que é uma crise) e 94 (depressão).

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