Cuidar no dia a dia · Pergunta 16

O que é a psiquiatria positiva e o que é o modelo PERMA?

A psiquiatria positiva constituiu-se como campo de conhecimento a partir de 2015 e aplica à prática clínica os contributos da psicologia positiva, disciplina que se ocupa do estudo das condições e dos processos que permitem o florescimento das pessoas e das comunidades. O seu objeto não é a doença, mas o que torna a vida boa — e a sua premissa é que estes dois objetos exigem investigação separada, dado que a ausência de sofrimento não produz, por si, bem-estar.

O modelo PERMA, proposto por Seligman, identifica cinco elementos que constituem o bem-estar e que podem ser cultivados de forma independente. As emoções positivas, que incluem a gratidão, a serenidade e a esperança, e cuja função evolutiva é ampliar o repertório de pensamento e de ação. O envolvimento, entendido como a absorção plena numa atividade que mobiliza as competências da pessoa no limite da sua capacidade. As relações positivas, que a investigação identifica como o preditor mais consistente de bem-estar. O sentido, isto é, a pertença e o contributo para algo que excede a própria pessoa. E a realização, entendida como a prossecução e o alcance de objetivos valorizados.

As intervenções derivadas deste modelo — registo de acontecimentos positivos, exercícios de gratidão, identificação e utilização deliberada de forças pessoais, atos de bondade, escrita sobre o melhor eu possível — apresentam efeitos de magnitude pequena a moderada sobre o bem-estar e sobre a presença de sintomas de depressão em metanálises, com a ressalva habitual quanto à qualidade metodológica e ao enviesamento de publicação. São, por isso, complementos razoáveis e não substitutos de tratamento.

A aplicação a pessoas com perturbação mental estabelecida merece nota. A investigação em psiquiatria positiva tem procurado demonstrar que estas intervenções são possíveis de realizar e úteis também em perturbações graves, com objetivos ajustados: não a eliminação de sintomas, mas o aumento do bem-estar, da esperança e do sentido — precisamente os processos que o modelo de recuperação identifica como centrais.

É essencial distinguir a psiquiatria positiva da chamada positividade tóxica: a exigência, explícita ou implícita, de manter estados emocionais positivos e de suprimir os negativos. Esta exigência é empiricamente contraproducente — a supressão emocional associa-se a pior funcionamento — e eticamente problemática, por transferir para a pessoa a responsabilidade pelo seu sofrimento. A tristeza perante uma perda, o medo perante uma ameaça e a raiva perante uma injustiça são respostas adequadas e informativas, não defeitos a corrigir.

A ligação com esta página é direta. A psiquiatria positiva partilha com a literacia em saúde mental positiva, tratada na pergunta 13, a mesma premissa: a saúde mental exige construção deliberada e não resulta apenas da remoção de doença. E partilha com a psiquiatria do estilo de vida a convicção, sustentada pela investigação em neuroplasticidade, de que o bem-estar tem componentes treináveis.

Ver também as perguntas 13 (literacia positiva) e 52 (recuperação).

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