Perturbações · Pergunta 99

O que são a perturbação de ansiedade generalizada e a perturbação de pânico?

A perturbação de ansiedade generalizada caracteriza-se por preocupação excessiva, persistente e difícil de controlar, relativa a múltiplos domínios da vida — saúde, família, trabalho, dinheiro, acontecimentos futuros —, com duração de pelo menos seis meses e acompanhada de sintomas como inquietação, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular e alterações do sono.

A característica distintiva é a preocupação sobre preocupação: a pessoa preocupa-se e, simultaneamente, preocupa-se por se preocupar tanto, num processo que se autoalimenta. Muitas pessoas com esta perturbação mantêm crenças positivas sobre a preocupação — «preocupar-me ajuda-me a estar preparado», «se me preocupar, evito que aconteça» — que sustentam o padrão e que constituem alvo específico da intervenção. A preocupação funciona, do ponto de vista funcional, como evitação: substitui o confronto emocional com a possibilidade temida por um processamento verbal abstrato e menos angustiante a curto prazo.

A perturbação de pânico caracteriza-se por ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos de pelo menos um mês de preocupação persistente com novos ataques, com as suas consequências, ou de alteração significativa do comportamento para os evitar. Não basta a ocorrência de ataques: é a antecipação e a evitação subsequentes que definem a perturbação. Frequentemente associa-se a agorafobia, isto é, ansiedade relativa a situações de que seria difícil escapar ou obter ajuda — transportes, espaços abertos ou fechados, multidões, sair de casa sem companhia.

O mecanismo central da perturbação de pânico é a interpretação catastrófica de sensações corporais benignas. Uma taquicardia após subir escadas é interpretada como enfarte iminente, uma tontura como perda de controlo, uma sensação de irrealidade como enlouquecimento. A interpretação aumenta o medo, que intensifica as sensações, que confirmam a interpretação. Este ciclo é o alvo direto do tratamento.

O tratamento psicológico de primeira linha para ambas as perturbações é a terapia cognitivo-comportamental. Na perturbação de pânico, inclui psicoeducação sobre o mecanismo, reestruturação das interpretações catastróficas, exposição interocetiva — indução deliberada e controlada das sensações temidas, por hiperventilação voluntária, rotação ou exercício — e exposição às situações evitadas. Na ansiedade generalizada, inclui o trabalho sobre as crenças acerca da preocupação, a exposição às imagens temidas, o treino de tolerância à incerteza e a redução dos comportamentos de reasseguramento.

O tratamento com medicamentos com evidência inclui os inibidores seletivos da recaptação da serotonina e os inibidores da recaptação da serotonina e da noradrenalina, em ambas as perturbações. Convém notar que o início do efeito é diferido e que pode ocorrer aumento transitório da ansiedade nas primeiras duas semanas, razão pela qual o início se faz habitualmente em dose baixa. A pregabalina apresenta evidência na ansiedade generalizada.

As benzodiazepinas merecem tratamento explícito. Produzem alívio rápido e são, por isso, frequentemente prescritas e apreciadas. Contudo, o uso continuado além de duas a quatro semanas associa-se a tolerância, a dependência, a alterações cognitivas e a síndrome de descontinuação com ansiedade de ressalto. Acresce um problema específico: funcionam como comportamento de segurança e interferem com a aprendizagem de extinção, o que reduz a eficácia da exposição realizada sob o seu efeito. A sua utilização deve ser limitada no tempo e articulada com o tratamento definitivo.

Ver também as perguntas 66 (ataque de pânico) e 49 (dependência).

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