Perturbações · Pergunta 95

Quais são os sintomas da depressão e como é diagnosticada?

O diagnóstico exige a presença, durante pelo menos duas semanas, de humor deprimido ou de perda de interesse e de prazer, acompanhados de um número mínimo de sintomas adicionais, com sofrimento ou repercussão na funcionalidades e sem que o quadro seja melhor explicado por outra condição, por substâncias ou por doença médica.

Os sintomas adicionais considerados incluem: alteração significativa do apetite ou do peso, em qualquer sentido; insónia ou hipersonolência; agitação ou lentificação psicomotora observáveis por terceiros; fadiga ou perda de energia; sentimentos de inutilidade ou de culpa excessiva e inapropriada; diminuição da capacidade de pensar, de concentrar-se ou de decidir; e pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida, plano ou tentativa.

O processo diagnóstico inclui a entrevista clínica, que caracteriza os sintomas, a sua duração, a sua evolução e o seu impacto; a história pessoal e familiar, com atenção específica a episódios prévios e a antecedentes familiares de perturbação bipolar; a avaliação do risco de suicídio; o rastreio de consumo de substâncias; e a exclusão de causas médicas através de exame físico e de exames complementares dirigidos.

Instrumentos de rastreio e de monitorização são utilizados como auxiliares. O Questionário de Saúde do Doente na versão de nove itens e o Inventário de Depressão de Beck são dos mais difundidos, e existem versões validadas para a população portuguesa. Importa compreender a sua função: uma pontuação elevada indica probabilidade aumentada e necessidade de avaliação, não é diagnóstico. A sua utilidade maior é a monitorização da evolução ao longo do tratamento, prática designada por cuidados orientados por medidas, que melhora comprovadamente os resultados e é subutilizada.

A gravidade é classificada em ligeira, moderada e grave, com base no número de sintomas, na sua intensidade e no grau de compromisso da funcionalidade. Esta classificação tem consequências diretas sobre o tratamento indicado: nos quadros ligeiros, a intervenção psicológica é a primeira linha; nos moderados a graves, a combinação de psicoterapia e de farmacoterapia é superior a qualquer modalidade isolada.

Existem diagnósticos diferenciais que importa considerar e que são causa frequente de erro. A perturbação bipolar, quando o episódio depressivo é a apresentação inicial e não se investigam episódios prévios de elevação do humor — erro com consequências relevantes, dado que o tratamento com antidepressivo isolado pode precipitar viragem maníaca. A perturbação depressiva persistente, de curso crónico e sintomatologia menos intensa. A perturbação de adaptação, com fator precipitante identificável e resolução esperada. As perturbações de ansiedade, cuja sobreposição é extensa. O consumo de substâncias, por exemplo o álcool, cuja depressão associada remite frequentemente com a abstinência. E as causas médicas e farmacológicas já referidas.

Um último ponto, dirigido a quem procura ajuda: é útil preparar a consulta. Registar previamente quando começaram os sintomas, o que mudou face ao habitual, como está o sono e o apetite, o que já se tentou, a medicação em curso e as questões que se quer ver respondidas aumenta substancialmente o rendimento de uma consulta com tempo limitado.

Ver também as perguntas 36 (sinais precoces) e 96 (tratamento da depressão).

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