Sinais e prevenção · Pergunta 37

Quanto tempo devo esperar antes de procurar ajuda?

Menos do que a maioria das pessoas espera. O intervalo entre o início dos sintomas e o primeiro contacto com os serviços — designado na literatura por duração da doença não tratada — associa-se de forma consistente a pior evolução, e a magnitude desta associação é particularmente marcada nas perturbações psicóticas — condições em que alterações da perceção e do pensamento podem dificultar distinguir o que é real, como ouvir vozes sem origem externa —, nas perturbações do humor e nas perturbações do comportamento alimentar. National Institute of Mental Health, s.d.

Os números do atraso são substanciais. Estudos internacionais documentam medianas de vários anos entre o início dos sintomas e o primeiro tratamento adequado, com variação considerável entre perturbações: menor na perturbação de pânico e na depressão, maior nas perturbações de ansiedade social, nas perturbações por uso de substâncias e nas perturbações da personalidade. Uma parte deste atraso decorre do não reconhecimento pela própria pessoa, outra do estigma e do receio da rotulagem, outra ainda de barreiras práticas de acesso.

Uma orientação prática consiste em procurar avaliação quando um conjunto de sintomas persiste por mais de duas semanas e interfere com o funcionamento. Não é necessário atingir um limiar elevado de gravidade para ter legitimidade em pedir ajuda, e não é necessário ter certeza de que se trata de doença — a distinção é precisamente o que compete à equipa de saúde estabelecer.

Importa desfazer três receios frequentes. O primeiro é o de que procurar ajuda conduzirá inevitavelmente a medicação: não conduz. A avaliação inicial serve para caracterizar o problema, e as opções incluem a vigilância expectante, a intervenção psicológica, a alteração de fatores contextuais e a medicação, com tomada de decisão partilhada. O segundo é o de que um diagnóstico ficará registado e prejudicará a vida da pessoa: a informação clínica está protegida por sigilo, não é acessível à entidade empregadora e não impede, por si, o exercício da generalidade das profissões. O terceiro é o de que se estará a ocupar um lugar que faz falta a quem está pior: a triagem clínica existe precisamente para hierarquizar, e essa decisão não compete à pessoa que procura ajuda.

Existe uma exceção ao princípio de esperar duas semanas: as situações que envolvem risco. Ideação suicida, autolesão, sintomas psicóticos, incapacidade de cuidar de si e agitação com risco justificam avaliação no próprio dia, independentemente da duração.

Vale a pena, por fim, distinguir procurar ajuda de iniciar tratamento. Uma consulta de avaliação não compromete a pessoa com nenhum plano terapêutico. Pode concluir que não existe indicação clínica, o que é, em si, informação valiosa e frequentemente tranquilizadora. A decisão de procurar avaliação e a decisão de aceitar tratamento são distintas, e a primeira não implica a segunda.

Ver também as perguntas 38 (a que profissionais recorrer) e 43 (como é feito o diagnóstico).

Informação geral: não substitui avaliação e cuidados individualizados. Consulte a política editorial e as fontes.