Tratamento e recuperação · Pergunta 185
Que efeitos e vigilância exigem os medicamentos para a PHDA?
Os medicamentos para a perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA) incluem estimulantes, como metilfenidato e lisdexanfetamina, e não estimulantes, como atomoxetina ou guanfacina. Não têm o mesmo perfil e não se escolhem apenas pela intensidade dos sintomas. O objetivo deve ser funcional e mensurável: melhorar atenção numa tarefa concreta, reduzir acidentes, concluir trabalho ou diminuir conflitos, sem perder sono, alimentação, espontaneidade ou bem-estar.
Antes de iniciar. Devem ser registados altura e peso, pulso, tensão arterial, sono, apetite, saúde mental, medicamentos e substâncias usados, história de desmaio, dor no peito, doença cardíaca e antecedentes familiares de morte cardíaca súbita. Um eletrocardiograma não é necessário para toda a gente, mas sintomas ou história de risco justificam avaliação específica. Deve também avaliar-se o risco de uso inadequado ou partilha sem transformar a consulta num interrogatório.
Durante o tratamento. A eficácia e os efeitos devem ficar registados. O pulso e a tensão arterial são revistos antes e depois de cada alteração de dose e, como referência, de seis em seis meses. Nas pessoas adultas, o peso é medido de seis em seis meses. Em crianças e jovens, a altura é medida de seis em seis meses; até aos 10 anos, o peso é medido de três em três meses; depois dos 10 anos, é medido aos três e seis meses após o início e, em seguida, de seis em seis meses. Altura e peso devem ser colocados numa curva de crescimento e revistos, com maior frequência se existir preocupação National Institute for Health and Care Excellence, 2018–2019. Sono, apetite, dor de cabeça, dor abdominal, humor, irritabilidade, ansiedade, tiques e capacidade de funcionar merecem perguntas explícitas.
Estimulantes. Redução do apetite, perda de peso, insónia quando o efeito se prolonga até tarde, cefaleia, dor abdominal e pequenas subidas do pulso ou da tensão são efeitos frequentes e potencialmente geríveis. Um registo do horário da toma, alimentação, sono e período de benefício ajuda a distinguir dose insuficiente, efeito que termina cedo e efeito adverso. Não compense com cafeína, bebidas energéticas ou doses adicionais sem orientação.
Não estimulantes. A atomoxetina pode causar náusea, menor apetite, cansaço e alteração do pulso ou tensão; mudanças marcadas do humor ou pensamentos de autolesão devem ser comunicados rapidamente. A guanfacina pode causar sonolência, tontura, pulso lento e tensão baixa; desmaio exige avaliação. Também não deve ser interrompida abruptamente sem plano, porque a tensão arterial pode subir.
Dor no peito, desmaio durante esforço, palpitações persistentes, falta de ar nova, convulsão, agitação extrema, psicose, mania ou intenção suicida exigem avaliação urgente; perda de consciência, convulsão prolongada, dor no peito intensa ou perigo imediato exigem 112. Estes acontecimentos são pouco frequentes e não devem ser inferidos a partir de um único sintoma ligeiro.
Crescimento, alimentação e identidade. Em crianças e adolescentes, uma trajetória de peso ou altura que se desvia deve conduzir à revisão clínica, não a pressão ou vergonha à mesa. Em qualquer idade, a pessoa deve poder dizer se se sente excessivamente «apagada», ansiosa ou diferente de si. O melhor resultado não é ficar quieto: é funcionar melhor com efeitos aceitáveis.
Guardar em local seguro, não partilhar e comunicar perdas repetidas protege a pessoa e terceiros. A suspeita de uso inadequado deve levar a uma conversa sobre dose, duração do efeito, consumo de substâncias, pressão académica ou laboral e segurança. Parar, mudar o horário ou fazer pausas só deve ocorrer dentro de um plano individual, porque as necessidades e os riscos variam.
Ver também as perguntas 14 (cuidar no dia a dia), 25 (substâncias), 111 (PHDA), 114 (outras perturbações do neurodesenvolvimento) e 181 (agir perante possíveis efeitos secundários).
Informação geral: não substitui avaliação e cuidados individualizados. Consulte a política editorial e as fontes.