Crise · Pergunta 71
Que linhas de apoio à saúde mental existem em Portugal e quando devo usá-las?
Existem duas categorias funcionalmente distintas, e confundi-las produz demoras evitáveis. As linhas de emergência destinam-se a situações de risco imediato para a vida ou para a integridade física e mobilizam meios no terreno: o Número Europeu de Emergência 112 e a Linha Nacional de Emergência Social 144. As linhas de apoio destinam-se a situações de sofrimento sem perigo iminente e asseguram escuta, aconselhamento e orientação, sem envio de meios.
No Serviço Nacional de Saúde, a Linha SNS 24 (808 24 24 24) dispõe de um serviço de aconselhamento psicológico integrado, criado em 2020 e assegurado por profissionais de psicologia. A linha funciona vinte e quatro horas por dia, presta triagem clínica, aconselhamento e encaminhamento para os serviços adequados, e o custo corresponde ao de uma chamada para a rede fixa nacional.
Desde 10 de setembro de 2025 — Dia Mundial de Prevenção do Suicídio — funciona a Linha Nacional de Prevenção do Suicídio, com o número 1411. É atendida por profissionais de psicologia e por enfermeiras e enfermeiros especialistas em enfermagem de saúde mental e psiquiátrica com formação específica em suicidologia, opera de forma autónoma embora integrada na estrutura da Linha SNS 24, e é coordenada pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde. Destina-se a pessoas em risco de suicídio e a quem as acompanha.
Complementarmente, várias organizações da sociedade civil asseguram linhas de apoio emocional com horários definidos, atendidas maioritariamente por voluntários com formação. Entre elas contam-se a SOS Voz Amiga, o Telefone da Amizade, a Conversa Amiga da Fundação INATEL, a Voz de Apoio e as Vozes Amigas de Esperança de Portugal. Os contactos e os horários constam do contactos e linhas de apoio em Portugal , com a indicação de que devem ser confirmados, dado que podem ser atualizados.
Quanto ao que esperar de uma chamada para uma linha de apoio emocional: escuta sem julgamento, ausência de pressão para revelar identidade, confidencialidade e tempo. Quanto ao que não esperar: diagnóstico, prescrição, marcação de consultas ou envio de meios. As linhas de apoio não substituem o acompanhamento clínico e não devem ser o único recurso em situações que exijam avaliação.
Existem receios frequentes que importa desfazer. Não é necessário estar em risco de vida para ligar — o sofrimento é motivo suficiente. Não é necessário saber explicar o que se sente. Não é necessário falar durante muito tempo. E não é preciso recear ocupar a linha de quem precisa mais: essa avaliação não compete a quem liga.
Para quem acompanha alguém, as linhas constituem igualmente recurso legítimo. Quem cuida pode ligar para obter orientação sobre como agir, para partilhar o próprio desgaste ou para esclarecer dúvidas. A Linha SNS 24 e a linha 1411 atendem quer a pessoa em sofrimento quer terceiros preocupados.
Uma nota operacional útil: registar previamente estes números no telemóvel, com nomes reconhecíveis, e escrevê-los também em papel num local visível. Em crise, a capacidade de procurar informação está comprometida, e a existência prévia do contacto acessível aumenta a probabilidade de utilização.
Ver também o contactos e linhas de apoio em Portugal e as perguntas 72 (quando recorrer à urgência) e 68 (plano de segurança).
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