Tratamento e recuperação · Pergunta 178

Que lugar têm a tDCS, a estimulação do nervo vago e a estimulação cerebral profunda?

Estas três técnicas são formas de neuromodulação, mas não são intercambiáveis. A estimulação transcraniana por corrente contínua, ou tDCS, é não invasiva; a estimulação do nervo vago, ou VNS, requer habitualmente um dispositivo implantado no pescoço; e a estimulação cerebral profunda, ou DBS, exige neurocirurgia e elétrodos no cérebro. O aumento do risco deve corresponder a indicação mais restrita e evidência suficiente.

tDCS: simples não significa estabelecida

A tDCS aplica uma corrente elétrica fraca através de elétrodos no couro cabeludo. Estudos na depressão encontram, em média, benefício pequeno a moderado, mas com protocolos variados e certeza inferior à da rTMS ou da ECT Rosson et al. (2022). Uma revisão sistemática com metanálise encontrou resultados dependentes da modalidade e da associação com antidepressivos, com intervalos de incerteza amplos Ren et al. (2025). Não deve ser apresentada como substituto comprovado dos tratamentos estabelecidos.

A facilidade aparente favoreceu dispositivos vendidos para uso doméstico. Aplicar elétrodos sem avaliação, alterar posição, intensidade ou duração e combinar com medicação pode produzir queimadura, agravamento de sintomas ou uma intervenção simplesmente ineficaz. Um produto comercial ou marcação de dispositivo não prova eficácia para tratar uma perturbação concreta.

VNS: implante e efeito lento

Na VNS implantada, um gerador envia impulsos ao nervo vago. Foi autorizada nos Estados Unidos para alguns casos de depressão crónica resistente, mas a melhoria pode demorar meses e a evidência de longo prazo é sobretudo observacional e de certeza muito baixa. Alteração da voz, tosse, desconforto, problemas do dispositivo e riscos cirúrgicos devem ser ponderados. A VNS aplicada através da pele ou do ouvido permanece investigacional para a maioria das indicações psiquiátricas.

DBS: neurocirurgia para situações excecionais

Na DBS, elétrodos implantados estimulam circuitos profundos. Existe uso muito especializado em perturbação obsessivo-compulsiva grave e refratária nalguns sistemas, mas a autorização e o acesso não são uniformes. Na depressão resistente, a técnica continua experimental: estudos controlados não demonstraram ainda benefício consistente que justifique uso rotineiro Ranjan et al. (2024). Os riscos incluem hemorragia, infeção, complicações do dispositivo e alterações psiquiátricas.

Como interpretar uma oferta

Pergunte qual é a técnica e o dispositivo exatos, para que diagnóstico e população existe evidência, se o uso é autorizado, fora da indicação ou experimental, qual a qualidade dos estudos, que riscos e alternativas existem e quem acompanha possíveis efeitos secundários. «Tecnologia de ponta», «personalizada por inteligência artificial» ou «sem químicos» são descrições de marketing, não resultados clínicos.

Em Portugal, a disponibilidade, autorização do dispositivo e financiamento devem ser confirmados para cada serviço e indicação. Uma pessoa pode participar num ensaio autorizado sem que a intervenção esteja aprovada para prática corrente. O consentimento deve explicitar esta diferença, os conflitos de interesses e a possibilidade de não beneficiar.

Ver também as perguntas 8 (avaliar informação), 51 (tratamentos seguintes), 99 (perturbação obsessivo-compulsiva) e 177 (rTMS e iTBS).

Informação geral: não substitui avaliação e cuidados individualizados. Consulte a política editorial e as fontes.