Tratamento e recuperação · Pergunta 182
Que possíveis efeitos secundários e vigilância exigem os antipsicóticos, incluindo a clozapina?
Os antipsicóticos não têm todos o mesmo perfil. Antes de iniciar, a pessoa e quem prescreve devem escolher objetivos observáveis — por exemplo, dormir, reduzir vozes ameaçadoras ou recuperar uma atividade —, efeitos que seriam inaceitáveis e uma data de revisão. A ausência de benefício e os possíveis efeitos secundários devem ser avaliados em conjunto; mudar de medicamento pode trocar um risco por outro.
Antes do tratamento. Como referência de boa prática, devem registar-se peso e altura, perímetro abdominal, pulso, tensão arterial, glicemia em jejum ou hemoglobina glicada — análise que estima a glicose média dos últimos meses —, gorduras do sangue, prolactina — hormona que pode afetar menstruação, mamas e função sexual —, alimentação, atividade física e movimentos anormais. Um eletrocardiograma, exame da atividade elétrica do coração, é indicado em determinadas situações de risco cardiovascular, sintomas, outros medicamentos ou indicação do folheto do medicamento National Institute for Health and Care Excellence, 2014.
Durante o tratamento. Como calendário de referência para pessoas adultas com psicose, o peso é registado semanalmente nas primeiras seis semanas, às 12 semanas, ao fim de um ano e depois anualmente; o perímetro abdominal, anualmente; e pulso, tensão arterial, glicemia em jejum ou hemoglobina glicada e gorduras do sangue às 12 semanas, ao fim de um ano e depois anualmente. Resposta, adesão, possíveis efeitos secundários, movimentos e saúde física são revistos regularmente, sobretudo durante o ajuste da dose National Institute for Health and Care Excellence, 2014. O protocolo local, o medicamento, a idade, o risco e resultados alterados podem exigir controlo mais precoce ou frequente; não receber convocatória não significa que a vigilância deixou de ser necessária.
Efeitos metabólicos e hormonais. Aumento do apetite e do peso, subida da glicose ou das gorduras do sangue podem ocorrer sem sintomas no início. Alterações da prolactina podem causar saída de leite da mama, alteração ou ausência de menstruação, aumento mamário, redução do desejo sexual ou dificuldades de ereção. Não são questões cosméticas: afetam saúde, qualidade de vida e continuidade do tratamento e justificam uma resposta clínica.
Efeitos no movimento. Rigidez, lentidão, tremor, espasmos dolorosos, inquietação física intensa — acatísia — ou movimentos repetidos da boca, língua, face ou membros devem ser descritos logo que surgem. A discinesia tardia é um movimento involuntário que aparece após exposição prolongada e pode persistir; reconhecê-la cedo permite rever o plano. Uma contração súbita que dificulte respirar ou engolir exige urgência.
Sedação, tensão arterial, coração e intestino. Sonolência e tontura podem comprometer condução e aumentar quedas. Boca seca, visão turva, dificuldade em urinar e obstipação podem resultar de efeitos sobre o sistema nervoso autónomo. Palpitações com desmaio, dor no peito ou falta de ar exigem avaliação urgente. Febre alta, rigidez muscular, confusão e instabilidade do pulso ou da tensão podem indicar síndrome neuroléptica maligna, uma reação rara e grave, e justificam emergência.
Clozapina. Este antipsicótico pode ser muito eficaz quando outros falharam, mas exige um programa próprio de vigilância do hemograma, análise que conta as células do sangue. As recomendações europeias para a contagem de neutrófilos — células de defesa contra infeções — foram revistas em 2025, pelo que a equipa deve aplicar o protocolo nacional e atual, não um calendário copiado da internet European Medicines Agency, 2025. Febre, dor de garganta ou sintomas de infeção exigem contacto urgente e hemograma; dor no peito, falta de ar ou pulso persistentemente acelerado podem indicar inflamação do coração; e obstipação com dor, distensão, vómitos ou ausência de gases pode indicar paragem do intestino. Não reinicie a dose habitual de clozapina após uma interrupção relevante sem falar com a equipa.
Para apoiar alguém, pergunte «o que mudou desde que começou?» e não apenas «tomou os comprimidos?». Ajude a medir peso ou tensão se isso tiver sido acordado, a acompanhar o trânsito intestinal no caso da clozapina e a levar uma lista de prioridades à consulta. Não imponha dieta, exercício ou vigilância corporal; estas medidas devem respeitar recursos, consentimento e risco de estigma ou perturbação alimentar.
Ver também as perguntas 48 (decisão sobre medicação), 54 (autogestão), 104 (psicose e esquizofrenia), 105 (tratamento da esquizofrenia) e 181 (agir perante possíveis efeitos secundários).
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