Tratamento e recuperação · Pergunta 183
Que vigilância e sinais de alarme exigem o lítio, o valproato e a lamotrigina?
Lítio, valproato e lamotrigina são usados para estabilizar o humor, mas não são equivalentes e exigem vigilâncias diferentes. O plano deve indicar qual o objetivo, que análises são necessárias, como agir perante doença física, que interações evitar e quem contactar se existir possibilidade de gravidez. Não use a orientação de um medicamento para outro.
Lítio: nível no sangue e órgãos a vigiar. Antes do tratamento avaliam-se peso ou índice de massa corporal, função dos rins e da tiroide, cálcio, eletrólitos e outros parâmetros definidos pela equipa. Como referência, o nível de lítio é medido uma semana depois de iniciar e uma semana depois de cada alteração de dose, repetindo-se semanalmente até estabilizar; depois, de três em três meses no primeiro ano. Após esse período, a referência é de seis em seis meses, ou de três em três meses em pessoas mais velhas, com interações, risco renal ou tiroideu, controlo insuficiente, mudança importante do consumo de sal ou líquidos, fraca adesão ou último nível elevado. Função renal, tiroide e cálcio são revistos pelo menos de seis em seis meses National Institute for Health and Care Excellence, 2014–2025. A colheita deve respeitar o intervalo horário indicado pela equipa, habitualmente cerca de 12 horas após a última toma, porque um resultado obtido noutra altura pode ser mal interpretado. Tremor, sede, volume de urina, memória e equilíbrio também devem ser revistos.
Lítio: prevenir e reconhecer toxicidade. Vómitos, diarreia, febre, desidratação, alteração marcada do consumo de sal, doença renal e certos medicamentos podem aumentar o nível. Anti-inflamatórios como ibuprofeno ou naproxeno, alguns diuréticos e alguns medicamentos para a tensão arterial podem interagir; confirme antes de começar, mesmo que não precisem de receita. Náuseas ou diarreia persistentes, tremor grosseiro, dificuldade em andar, fala arrastada, visão turva, sonolência ou confusão exigem avaliação urgente e doseamento. Convulsão, perda de consciência ou deterioração rápida exigem 112. A orientação oficial recomenda procurar avaliação se surgir vómito, diarreia ou doença aguda National Institute for Health and Care Excellence, 2014.
Valproato. Pode causar aumento de peso, tremor, sedação, alterações do fígado e das células do sangue. Como referência, antes de iniciar avaliam-se peso ou índice de massa corporal, hemograma e função do fígado; estes controlos repetem-se aos seis meses e depois anualmente, ou mais cedo se surgirem sintomas ou alterações National Institute for Health and Care Excellence, 2014–2025. Dor abdominal forte e persistente, vómitos repetidos, pele ou olhos amarelados, nódoas negras ou sangramento sem explicação, sonolência ou confusão novas exigem contacto urgente. Não interrompa subitamente, sobretudo se também for usado para epilepsia.
O valproato pode causar malformações e problemas do desenvolvimento quando usado durante a gravidez. Na União Europeia não deve ser usado durante a gravidez para perturbação bipolar e, em pessoas com possibilidade de engravidar, só pode ser utilizado quando as condições do programa de prevenção da gravidez são cumpridas e as alternativas não são adequadas European Medicines Agency, 2018. Se existir atraso menstrual, gravidez, desejo de engravidar ou dificuldade com contraceção, contacte rapidamente a equipa; não pare por conta própria, porque uma recaída ou convulsão também pode ser perigosa.
Lamotrigina. Tontura, visão dupla, cefaleia e náusea podem ocorrer. A dose é aumentada gradualmente e deve respeitar as interações, sobretudo com valproato, para reduzir o risco de reações graves da pele. Qualquer erupção nova deve ser comunicada no próprio dia, sobretudo nas primeiras semanas ou após aumento de dose National Institute for Health and Care Excellence, 2014–2025. Erupção dolorosa ou extensa, bolhas, descamação, feridas na boca ou olhos, febre, inchaço da face ou mal-estar intenso exigem avaliação médica urgente antes de tomar outra dose; não reinicie sem indicação clínica.
Organização prática. Mantenha uma lista atualizada com doses e horários, resultados e datas das análises, alterações recentes e contactos. Antes de tomar um medicamento sem receita, suplemento ou produto de ervanária, diga na farmácia que usa um estabilizador do humor. Se mudar de serviço, leve a lista e a data do último doseamento. Uma pessoa de confiança pode ajudar a reconhecer confusão ou desequilíbrio, mas não deve alterar doses nem controlar a medicação sem consentimento.
Ver também as perguntas 50 (interrupção), 54 (autogestão), 102 (perturbação bipolar), 103 (tratamento da perturbação bipolar) e 181 (agir perante possíveis efeitos secundários).
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