Saúde mental LGBTQIA+ · Pergunta 160
Alguém me contou que é LGBTQIA+: o que devo dizer e evitar?
Porque é que isto importa tanto
A aceitação e a rejeição familiar são relevantes para a saúde mental, mas os estudos não estabelecem uma hierarquia universal entre todos os fatores de proteção e risco. Num estudo retrospectivo com 224 jovens adultos brancos e latinos, a rejeição elevada na adolescência associou-se a uma razão de possibilidades (odds ratio) de 8,4 para ter referido uma tentativa de suicídio, comparativamente à rejeição baixa ou nula. Esta medida compara possibilidades estatísticas; não significa que a probabilidade individual seja 8,4 vezes maior nem demonstra causalidade Ryan et al., 2009. Num estudo com 245 participantes, a aceitação familiar associou-se a melhores indicadores de saúde e apoio social Ryan et al., 2010.
Acolher, escutar e manter apoio concreto pode ajudar. Nenhuma reação isolada determina toda a saúde mental da pessoa, e quem a acompanha não é responsável por controlar todos os resultados. O importante é construir uma relação segura e procurar apoio quando necessário.
Nos primeiros minutos
Agradeça a confiança e diga que a relação se mantém. São as duas coisas que a pessoa está a tentar saber, e tudo o resto pode esperar. Uma frase simples — «obrigado por me contares; gosto de ti na mesma» — faz mais do que qualquer discurso preparado.
Não tem de estar preparado, não tem de reagir bem, não tem de perceber. Pode dizer que precisa de tempo, desde que diga também que a relação não está em causa. A honestidade sobre a própria confusão é aceitável; a ambiguidade sobre o vínculo não é.
O que não dizer
«Tens a certeza?» comunica que a pessoa não se conhece a si própria, e é habitualmente dita a alguém que passou anos a pensar no assunto. «É uma fase.» «É por causa de alguma coisa que te aconteceu?» «Já experimentaste com uma rapariga?» «E os netos?» «Não contes ao teu avô.» «Isto vai matar a tua mãe.» «Eu sabia, mas nunca disse nada.» Cada uma destas frases tem o mesmo efeito: transfere para a pessoa a gestão do desconforto de quem ouve.
E há três que merecem nota específica. «Eu não tenho nada contra, desde que não seja com um filho meu» é rejeição com verniz. «Não faz diferença nenhuma para mim» soa a acolhimento e comunica que o assunto está encerrado, o que impede tudo o que vem a seguir. E propor terapia para mudar não é ajuda — é a prática que a pergunta 157 descreve e que é crime.
Nas semanas e nos meses seguintes
É aqui que a aceitação se demonstra, e demonstra-se por atos. Continue a perguntar pela vida da pessoa como perguntaria a qualquer outra: se tem alguém, como vai essa relação, se quer trazê-la a casa. Use o nome e os pronomes que ela usa. Não a esconda dos outros nem organize a família em torno do segredo, o que comunica vergonha de forma mais eficaz do que qualquer palavra. Defenda-a de comentários de terceiros, sobretudo quando ela não está presente — é aí que a lealdade se prova. E não faça da identidade o único tema.
Cuidar de si sem o descarregar nela
É legítimo ter dificuldade, sentir luto por expectativas que tinha, ter medo do que os outros dirão, ou ter crenças religiosas que entram em conflito com o que ouviu. Nada disso é motivo de vergonha e nada disso deve ser processado com a pessoa que se assumiu, que não tem meios nem obrigação de o conter.
Pode procurar apoio junto de um profissional ou de grupos de famílias, respeitando a privacidade de quem confiou em si. As famílias seguem percursos diferentes; precisar de tempo não justifica ameaças, humilhação, expulsão ou pressão para mudar a identidade ou a orientação sexual.
Quando é urgência
Quando a pessoa está em risco de expulsão de casa, de violência ou de pressão para práticas de conversão por parte de outros membros da família — situação em que quem acolhe é frequentemente a única proteção disponível. E quando surge ideação suicida, matéria da pergunta 67.
Ver também as perguntas 159 (saída do armário) e 86 (papel da família).
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