Tratamento e recuperação · Pergunta 47
Que psicoterapias têm evidência de eficácia?
A resposta exige uma ressalva prévia: a evidência é sempre relativa a uma condição, a uma população e a um resultado, e não existe uma psicoterapia globalmente superior às restantes. As indicações que se seguem resumem o estado atual do conhecimento por condição.
Na depressão em pessoas adultas, a revisão de Simon et al. (2024) sintetiza uma metanálise em rede que identificou efeitos de magnitude pelo menos média, face aos cuidados habituais sem psicoterapia, para a terapia cognitiva, a ativação comportamental, a terapia de resolução de problemas, a psicoterapia interpessoal, a psicoterapia psicodinâmica breve e as intervenções baseadas na atenção plena, com diferenças médias padronizadas entre 0,50 (IC 95% [0,20; 0,81]) e 0,73 (IC 95% [0,52; 0,95]). A ausência de superioridade clara de qualquer modelo sobre os restantes é um resultado consistente nesta literatura.
Nas perturbações de ansiedade — perturbação de ansiedade generalizada, perturbação de pânico, ansiedade social, fobias específicas — a terapia cognitivo-comportamental com componente de exposição reúne a evidência mais sólida e é a primeira linha em todas as orientações internacionais. A exposição é o elemento ativo: as versões que a omitem apresentam eficácia inferior. Na perturbação obsessivo-compulsiva, a exposição com prevenção de resposta é o tratamento psicológico de eleição.
Na perturbação de stresse pós-traumático, as terapias focadas no trauma constituem a primeira linha: a terapia de processamento cognitivo, a exposição prolongada, a terapia cognitivo-comportamental focada no trauma e a dessensibilização e reprocessamento por movimentos oculares. Esta última apresenta eficácia equivalente às restantes; o debate incide sobre se o componente dos movimentos oculares acrescenta algo à exposição, o que a evidência de desmantelamento não sustenta claramente.
Na perturbação da personalidade borderline, a terapia comportamental dialética é a intervenção mais estudada, com eficácia demonstrada na redução da autolesão, das idas à urgência e do internamento. Apresentam igualmente evidência a terapia baseada na mentalização, a terapia focada nos esquemas, a psicoterapia focada na transferência e o treino de sistemas para a previsibilidade emocional.
Na esquizofrenia e nas psicoses, as intervenções psicológicas complementam e não substituem a medicação. Com evidência: a terapia cognitivo-comportamental para a psicose, com efeitos modestos sobre os sintomas positivos e sobre o mal-estar associado; o treino de competências sociais; a remediação cognitiva; e, com o maior efeito documentado, as intervenções familiares — matéria tratada na pergunta 86.
Nas perturbações do comportamento alimentar, o tratamento baseado na família é a primeira linha na anorexia nervosa em adolescentes, e a terapia cognitivo-comportamental melhorada apresenta a melhor evidência na bulimia nervosa e na perturbação de ingestão compulsiva.
Duas advertências completam este panorama. A primeira: a ausência de um modelo desta lista não demonstra ineficácia — demonstra, frequentemente, ausência de investigação, e a distribuição do financiamento de ensaios clínicos não é neutra em relação aos modelos. A segunda: existem intervenções ativamente desaconselhadas por evidência de dano, entre as quais as terapias de conversão da orientação sexual ou da identidade de género, as intervenções de recuperação de memórias reprimidas e o debriefing psicológico obrigatório imediatamente após acontecimentos traumáticos, associado a risco de agravamento.
O critério prudente para escolher consiste em privilegiar modelos testados para o problema concreto, verificar a formação específica de quem conduz a intervenção nesse modelo e monitorizar o progresso. Quando não existe melhoria ao fim de um número razoável de sessões, a decisão correta é rever o plano e não persistir indefinidamente.
Ver também as perguntas 46 (o que é a psicoterapia) e 51 (se o tratamento não resultar).
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