Guia · Gravidez e início da parentalidade

Saúde mental na gravidez e após o parto

Se está grávida ou teve um bebé, pode falar sobre a sua saúde mental com a mesma abertura com que fala sobre a saúde física. Há apoio para si — e pedir ajuda não é falhar como mãe, pai ou outra figura parental.

Em poucas palavras

Tristeza, ansiedade ou exaustão podem surgir nesta fase. Se o sofrimento é intenso, piora ou dificulta o dia a dia, fale com a equipa que acompanha a gravidez ou o pós-parto. Não precisa de esperar por uma consulta marcada para pedir orientação.

01 / Reconhecer

Quando vale a pena falar sobre o que sente?

Na gravidez e no primeiro ano após o nascimento, podem aparecer dificuldades novas ou agravar-se problemas de saúde mental já existentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a importância de acolher estas dificuldades sem julgamento.

  • Preocupação, medo ou tristeza que ocupam grande parte do dia.
  • Sensação de não conseguir lidar com tarefas habituais, mesmo com apoio.
  • Alterações de sono ou energia que causam sofrimento para além das exigências normais desta fase.
  • Isolamento ou dificuldade em falar com alguém sobre o que está a acontecer.

Estes sinais, por si só, não dão um diagnóstico. Servem para iniciar uma conversa e perceber de que apoio precisa. Pode ler também a resposta sobre prevenção na gravidez e no pós-parto.

02 / Agir

Uma conversa pode começar de forma simples

  1. Descreva o que mudou. Por exemplo: “Tenho-me sentido muito ansiosa e já está a afetar o meu dia a dia.”
  2. Diga do que precisa agora. Pode pedir escuta, ajuda com tarefas, uma avaliação ou orientação sobre onde procurar cuidados.
  3. Leve o assunto à equipa de saúde. Fale com quem acompanha a gravidez ou o pós-parto, ou com a sua equipa de saúde familiar. Se já tem acompanhamento de saúde mental, contacte também essa equipa.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde enquadra o acompanhamento na gravidez e no pós-parto e os percursos entre serviços. Se não sabe a quem recorrer, o SNS 24 — 808 24 24 24 faz triagem e orientação clínica.

Para familiares e pessoas próximas

Apoiar sem julgar

Pergunte “Como tens estado?” e escute a resposta. Ofereça ajuda concreta — uma refeição, uma tarefa, tempo para descansar ou companhia numa consulta — sem decidir pela pessoa. Se ela disser que está em sofrimento, leve a sério e ajude-a a contactar a equipa de saúde. A OMS recomenda cuidados acolhedores e sem estigma neste período.

Se há risco ou uma mudança súbita

Peça ajuda urgente

Depois do parto, confusão intensa, ouvir ou ver coisas que outras pessoas não percebem, ou crenças muito afastadas da realidade exigem avaliação médica urgente. A OMS identifica estes sinais como uma emergência. Se existe intenção ou plano de se magoar ou magoar o bebé, procure ajuda imediata. Pensamentos indesejados que assustam, mesmo sem intenção de agir, também merecem uma conversa com um profissional, sem vergonha nem julgamento. A Royal College of Psychiatrists explica a diferença entre esses pensamentos e a intenção de magoar.

Se existe perigo imediato, ligue 112. Se há pensamentos de suicídio sem perigo imediato identificado, contacte a linha 1411. Na dúvida sobre o grau de urgência, ligue SNS 24 — 808 24 24 24. Pode consultar os contactos de ajuda do Cuida-TE.org.

Fontes e atualização

Conteúdo educativo baseado em orientação oficial. Fontes consultadas em :