Rastreio · versão portuguesa de Portugal

EPDS: compreender o resultado e dar o próximo passo

A Escala de Depressão Pós-parto de Edimburgo ajuda a reconhecer sinais que merecem atenção. Aceda ao formulário da DGS e use estas perguntas para preparar uma conversa com a equipa de saúde.

Documento da Direção-Geral da Saúde

Onde posso consultar o questionário?

Abrir a EPDS em português de Portugal no manual da DGS ↗

Anexo 3, páginas impressas 41–43 (páginas 43–45 do PDF). Se a ligação abrir o início do documento, procure «Anexo 3».

O formulário abre no site da DGS. Nesta página não se preenchem, guardam ou enviam respostas, nem se calcula uma pontuação. Combine a leitura dos resultados com a sua equipa de saúde.

Compreender, interpretar e procurar apoio

Perguntas e respostas sobre a EPDS

1O que é a EPDS e para que serve?

É um questionário de dez itens sobre os últimos sete dias. Ajuda a reconhecer sintomas que justificam uma conversa clínica. O resultado não confirma nem exclui uma depressão e não mede a sua capacidade para ser mãe.

Pode apoiar o diálogo com um profissional com formação e acesso a cuidados de saúde mental. Não avalia todas as dificuldades desta fase, nem permite excluir psicose pós-parto ou perturbação bipolar.

Fontes: DGS · manual de 2005/2006, Anexo 3, pp. 41–43 · Cox (2019) · recomendações para utilização da EPDS.

2Qual é a versão portuguesa indicada aqui?

É a versão do Anexo 3 do manual da Direção-Geral da Saúde, que identifica Augusto, Kumar, Calheiros, Matos e Figueiredo (1996) como referência portuguesa. O formulário ocupa as páginas impressas 41–42; a cotação está na página 43. No leitor de PDF, correspondem às páginas 43–45.

O estudo de Augusto e colegas incluiu 352 mães em Portugal, avaliadas entre dois e cinco meses após o parto. Num estudo distinto, Areias e colegas acompanharam 54 mães pela primeira vez e 42 parceiros no Porto: a comparação com entrevista clínica apoiou a validade nas mulheres, mas foi menos satisfatória nos homens. Estes resultados não demonstram igual precisão em todas as populações ou no preenchimento autónomo pela internet.

Fontes: DGS · manual de 2005/2006, Anexo 3, pp. 41–43 · Augusto et al. (1996) · estudo português, 352 mães · Areias et al. (1996) · validação em mães portuguesas · Cox (2019) · recomendações para utilização da EPDS.

3Pode ser usada na gravidez, no puerpério e por pais ou parceiros?

O formulário da DGS aqui ligado dirige-se a mulheres que tiveram um bebé. Puerpério designa a recuperação após o parto; as necessidades de saúde mental podem continuar para além dessa fase.

A EPDS também tem sido estudada na gravidez. A equipa de saúde deve escolher a versão, o momento e a interpretação adequados. Não se deve aplicar automaticamente aos pais ou parceiros a mesma interpretação usada nas mães. Quem sofre merece avaliação, mesmo quando este instrumento não é o indicado.

Fontes: DGS · manual de 2005/2006, Anexo 3, pp. 41–43 · Areias et al. (1996) · validação em mães portuguesas · Cox (2019) · recomendações para utilização da EPDS.

4Como devo responder e preparar a conversa com a equipa de saúde?

Use o formulário original e pense nos últimos sete dias. Escolha uma resposta por item, a mais próxima do que sentiu. Se não compreender uma frase, peça ajuda ao profissional, sem que outra pessoa responda por si.

Pode levar o formulário à consulta de saúde familiar, de enfermagem ou de pós-parto. Como preparação prática, anote quando começaram as dificuldades, como afetam o dia a dia e que apoio tem. Combine quem vai rever as respostas e qual é o próximo contacto. Não espere pelo questionário se já precisa de ajuda.

Fontes: DGS · manual de 2005/2006, Anexo 3, pp. 41–43 · Cox (2019) · recomendações para utilização da EPDS.

5Como se calcula a pontuação?

Cada resposta vale entre 0 e 3 pontos; o total dos dez itens vai de 0 a 30. Na ordem do formulário da DGS, os itens 1, 2 e 4 pontuam 0–1–2–3; os itens 3, 5, 6, 7, 8, 9 e 10 pontuam 3–2–1–0. Não se pode dar a mesma pontuação a todas as primeiras opções.

Peça à equipa para confirmar a cotação. Uma pergunta em branco não vale zero: um formulário incompleto precisa de esclarecimento antes de interpretar o total.

Fontes: DGS · manual de 2005/2006, Anexo 3, pp. 41–43.

6O que significa um resultado de 12 ou mais? E se for inferior?

O manual da DGS indica 12 ou mais como sinal de possível depressão que precisa de avaliação clínica. Não é uma classificação de depressão ligeira, moderada ou grave. Contacte a sua equipa de saúde para discutir as respostas e combinar uma avaliação; se não souber como aceder, ligue SNS 24 — 808 24 24 24.

Um total inferior não garante ausência de doença ou de risco. Se o sofrimento persiste, piora ou dificulta cuidar de si, peça avaliação mesmo com poucos pontos. O total nunca anula a importância de pensamentos de autoagressão ou de outros sinais de alarme.

Fontes: DGS · manual de 2005/2006, Anexo 3, pp. 41–43 · Cox (2019) · recomendações para utilização da EPDS · NIMH · depressão perinatal e psicose pós-parto.

7Porque encontro referências a 12 e a 13 pontos?

São critérios de fontes diferentes: o manual da DGS indica 12 ou mais; Augusto e colegas usaram 13 ou mais no seu estudo. Um limiar depende da população e da finalidade do rastreio. Aqui identificamos o critério da DGS, sem o apresentar como um diagnóstico universal.

Leve à consulta tanto as respostas como o total e o nome da versão. Não altere respostas para ficar acima ou abaixo de um limiar. A decisão clínica considera também o que sente e o impacto na sua vida.

Fontes: DGS · manual de 2005/2006, Anexo 3, pp. 41–43 · Augusto et al. (1996) · estudo português, 352 mães · Cox (2019) · recomendações para utilização da EPDS.

8E se assinalei pensamentos de me fazer mal no item 10?

Qualquer resposta com pontuação superior a zero neste item precisa de avaliação, mesmo que o total seja baixo. A resposta, por si só, não determina se existe perigo imediato. Procure apoio profissional hoje e conte o que está a acontecer a alguém de confiança.

Se tem intenção de agir, já se magoou ou não consegue manter a sua segurança ou a do bebé, ligue 112. Peça a alguém de confiança para ficar consigo e ajudar a manter o bebé seguro. Para apoio em sofrimento psicológico ou risco de suicídio, pode ligar 1411. Não espere por uma resposta deste site: não há acompanhamento em tempo real.

Fontes: Cox (2019) · recomendações para utilização da EPDS · NIMH · depressão perinatal e psicose pós-parto.

9O que pode acontecer depois de pedir ajuda?

A equipa pode avaliar sintomas, história de saúde, segurança e necessidades práticas. O apoio pode incluir psicoterapia, ajuda na organização dos cuidados e, quando indicado, medicação escolhida com um profissional. Não inicie nem interrompa tratamento com base numa pontuação.

Confusão intensa, ouvir ou ver coisas que outras pessoas não percebem, ou perda de contacto com a realidade após o parto exigem avaliação médica urgente. Não espere por nova EPDS ou pela consulta seguinte. Em perigo imediato, ligue 112.

Fontes: NIMH · depressão perinatal e psicose pós-parto.

Fontes consultadas em . As orientações educativas do Cuida-TE.org acompanham o formulário original e não substituem avaliação clínica.

Contactos: gov.pt · 112 e SNS 24; Governo de Portugal · Linha 1411.